Após dois anos, MAM reabre com a mostra “39° Panorama da Arte Brasileira “
O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) reabre as suas portas após dois anos de portões fechados para obras de infraestrutura. O retorno da instituição ao Parque Ibirapuera é marcado pela inauguração do “39° Panorama da Arte Brasileira”, uma das exposições mais emblemáticas da história do museu e do calendário cultural do país.
Durante o período em que esteve fechado, o museu manteve uma rotina intensa de atividades itinerantes, em um projeto intitulado “MAM em Movimento”. Segundo Cauê Alves, curador-chefe do museu, foram realizadas mais de uma dezena de exposições fora da sede, permitindo que a coleção permanente circulasse como poucas vezes se viu. Alves destacou que a reforma enfrentou diversos adiantamentos, passando de uma previsão inicial de seis meses para dois anos de duração. As intervenções no edifício, contudo, permitiram uma reconstrução completa da estrutura técnica e dos espaços internos. O museu agora conta com novos sistemas de ar-condicionado e iluminação, recepção reformulada para maior integração com o parque, além de novo auditório, loja e restaurante.

A escolha do Panorama para marcar a reabertura resgata a própria trajetória do MAM no Ibirapuera. A primeira edição da mostra, em 1969, celebrou o momento em que o museu se estabeleceu no local após anos sem sede fixa. Historicamente funcionando como um registro das transformações e questões mais urgentes da produção contemporânea, a exposição também serve como principal fonte de ampliação do acervo permanente da instituição por meio de doações e aquisições.
A edição atual conta com a curadoria de Diane Lima, que propõe uma reflexão sobre as transformações no debate artístico e institucional nos últimos anos. De acordo com a curadora, a mostra busca analisar o cenário pós-anos 2000, marcado pelo avanço das políticas afirmativas e por uma presença maior de debates sobre representação, visibilidade e justiça histórica no campo das artes visuais.

Diane Lima explica que a exposição propõe um exercício de revisão das próprias estruturas e linguagens artísticas, tensionando os limites da representação e valorizando a autonomia das narrativas dos artistas participantes. A curadoria buscou dar espaço para formas de criação que desafiam categorizações tradicionais, refletindo o impacto das lutas de movimentos sociais e intelectuais no ambiente cultural.
O MAM passa a funcionar em ritmo regular no Parque Ibirapuera com acesso gratuito garantido a todos os visitantes aos domingos, além da gratuidade neste sábado (12), dia de abertura da mostra.
